domingo, 14 de novembro de 2010

Senna em cena

Hoje, as ilustríssimas donas desse blog tiveram uma oportunidade única: ver o documentário que narra a vida e carreira de um dos maiores pilotos brasileiros, Ayrton Senna.
Não, eu não sou mais uma daquelas fãs enlouquecidas que acham que Senna foi o melhor e ponto final. Aliás, antes de ver o filme, eu nem achava que ele fosse tudo isso que meu pai e várias outras pessoas me falavam. Mas, ao final daqueles maravilhosos 107 minutos, eu fui obrigada a modificar por completo o meu ponto de vista.

Esse não é um filme que coloca o piloto como mártir da nação, da mesma forma que não o coloca como um vilão durante o tempo de disputas com Prost. Talvez essa visão humana de Senna tenha sido o ingrediente que faltava para que ele entrasse para o meu hall de grandes pilotos.

A grandeza de um homem se dá por suas ações, por sua capacidade de enfrentar desafios, sendo humilde ao conquistar a vitória e compenetrado, tendo a derrota como aprendizado e combustível para a elevação sobre os outros mortais. No que eu pude observar hoje, a história de vida de Ayrton só mostra como ele foi um homem grandioso e como o povo brasileiro se sentiu e deve se sentir até hoje tendo perdido aquele que era o grande exemplo a ser seguido e admirado pela população. Penso que mesmo não tendo visto os tempos áureos de Senna, o Brasil se sentiu como eu me sinto hoje sem ver o Kimi na Fórmula 1, obviamente em escalas completamente diferentes já que este está vivo e atuante, mesmo que em um esporte diferente. Com a morte de Ayrton, acabaram as manobras brilhantes, a imagem perseverante, a figura de uma pessoa que queria ir contra o sistema, a politicagem inútil que existia no início dos anos 90 e que se mantém, ainda pior, até hoje na F1.

Em contrapartida, é interessante observar como uma pessoa tão segura e decidida acaba tendo seus momentos de impotência e insegurança, como nas cenas onde há aquela batida proposital de Senna em Prost ou ainda quando Ratzemberger morre na véspera da última corrida do brasileiro. Da mesma forma como é inspirador ver como ele próprio encontrou na fé em Deus a força para continuar, mesmo quando as situações eram obscuras e o futuro perigoso e incerto.

Senna era humano e foi isso que me fez admirá-lo não só como piloto mas como pessoa após assistir a esse documentário. À ele, a minha homenagem hoje no Paddock Interditado.

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