segunda-feira, 12 de julho de 2010

As Copas da Minha Vida

Em toda a minha vida, 5 Copas do Mundo se passaram, sendo que destas, só assisti 4. Da primeira, pouco me lembro - tinha 7 anos, participei de uma aposta com minha mãe (que perdi e só paguei uns 5 anos depois) e coloquei uma camisa do Brasil, torci loucamente pela seleção e vi os "craques" da época perderem para uma França que não devia ser assim tão boa, pelo menos não na minha cabeça de torcedora, mas que acabou derrotando o famoso time de amarelo que todos a minha volta torciam tanto.


Mais tarde, 4 anos depois, outra Copa do Mundo chegava. Uma novidade, jogos na Coréia e Japão, onde eu e minha mente decidida trocamos de time. Eu, ainda decepcionada com o fracasso do Brasil em 98, lembrei antes da primeira semana de jogos de um certo inglês dos olhos verdes, marido de uma cantora que eu ouvia constantemente e que jogava na seleção que se tornaria o meu grande amor até os dias de hoje, e provavelmente da minha vida como um todo. Foi a minha primeira Copa no posto de ovelha negra da família, onde todos torciam pelo Brasil e eu, quieta no meu canto evitando as represálias por parte da família super patriota, confeccionava uma camisa (muito da horrorosa, diga-se de passagem) do meu English Team. Tenho boas lembranças dessa Copa, como quando saí do Colégio, sexta série na época, correndo desesperada perguntando para meu pai quem havia ganho, Inglaterra ou Argentina, e recebendo como resposta "Inglaterra. Acho que aquele tal de Beckham fez um gol...". Ou quando no jogo contra a Dinamarca, estando sozinha em casa, gritei até ficar rouca quando Ferdinand fez aquele bonito gol que colaborou com a eliminação dos Gravensen e qualquer outro nome que terminasse com "sen" daquele time. A dor só surgiu quando não me acordaram naquele terrível Brasil e Inglaterra e eu não pude ver o jovem Owen calar meu prédio. Mas poucos minutos depois, aí sim, um trovão de vozes exaltadas comemoravam o gol de empate, e me acordavam, e me entristeciam, enquanto eu jurava vingança e torcida para qualquer outro adversário do Brasil até a final.


Finalmente chegou 2006, a melhor das Copas até hoje. Meu English Team não ganhou, mas eu me orgulho em dizer que eu pude conhecer uma das melhores gerações de jogadores ingleses da História. Ah, se eu pudesse expressar em palavras a alegria que senti naquele gol do Joe Cole em cima da Suécia, ou aquele que Beckham fez sobre o Equador nas oitavas de final! Até mesmo a derrota para Portugal nas quartas de final me causaram uma mistura de sentimentos que eu jamais havia sentido na minha vida, onde não há palavras até os dias de hoje que consigam descrever o que foi ver meu herói, David Beckham, sentado no banco chorando copiosamente por um rompimento de tendão e posteriormente ainda tendo forças para se levantar e ir até o gramado para encorajar e consolar os jogadores antes e após os penaltis. Mas não foi somente isso que me marcou em 2006. Foi a melhor Copa, por poder ver uma Alemanha amiga e de fato unificada, onde um Ballack emocionado chorava na disputa do terceiro lugar. Foi a melhor, pelas situações que aconteceram comigo, como parar numa rua movimentada e assistir a Itália eliminar a Austrália juntamente com pessoas que eu nunca vi na vida ou ainda, fazer uma prova de História em 10 minutos somente pra poder descer e assistir à estréia da minha seleção contra o Paraguai. Ouvir jogos nas aulas com os amigos, enquanto os professores perguntavam o placar. Apostar com a amiga que eu aprenderia e cantaria o "God Save the Queen" inteiro até o fim da Copa (e conseguir!). E no fim, admirar a Squadra Azzurra levar o título de campeã mundial, com o Capitão Cannavaro levantando a taça enquanto uma França vice campeã seguia para casa com seu melhor jogador expulso por uma cabeçada.


Não posso dizer que não me emocionei com 2010. A África do Sul fez sim uma grande Copa, mostrou que os países mais pobres quando comparados às grandes potências européias têm capacidade de realizar um espetáculo, principalmente levando-se em consideração o quanto a nação sofreu não só economicamente mas socialmente com o Apartheid. Vi meu time ser atropelado por uma Alemanha simplesmente inacreditável e até admito que torci muito por ela. Descobri que ao contrário do meu preconceito bobo, o futebol sulamericano é muito interessante, me apaixonei pela Celeste Uruguaia e seus fantásticos jogadores. Quantos craques, quantos excelentes times! O menino Müller, destaque jovem, artilheiro, com um belo futuro pela frente! O esquisitão Özil e seu foguete particular no lugar dos pés! Puyol e seus lances salvadores! Mas mesmo com todos essas personalidades inesquecíveis, não coloco a África como pole position no meu grid das Copas. Por que? Pelo simples fato, caro leitor, que não foi justa a vitória da Espanha. Pelo menos não, se formos analisar a competição como um todo e não somente a final. Gosto da Fúria, torci por ela no último jogo e afirmo que jogou brilhantemente contra os brutamontes e "presepeiros" holandeses, apesar de alguns erros de principiante em Copas. Mas os verdadeiros merecedores do caneco em 2010, infelizmente, só disputaram o terceiro lugar. Os alemães renovaram a seleção, montaram um esquema de jogo belíssimo, investiram nos jovens, deram goleadas e no fim só beliscaram um terceiro lugar. O Urugai mostrou raça, amor a camisa, trouxe de volta o espírito campeão que não era visto há 60 anos e teve os grandes nomes da Copa: o vilão e herói Soarez com sua defesa contra Gana, o capitão e centro do grupo Diego Lugano, um Loco que classifica o time com uma cavadinha no último penalti e um craque decisivo e modesto chamado Diego Forlán, que entra para a história das Copas como ganhador da Bola de Ouro e pra minha memória como um exemplo de vida.


Parabéns à Fúria Espanhola e aos Laranjas da Holanda pelo grande jogo de ontem, mas que esteja claro que para essa que vos escreve, os verdadeiros campeões de 2010 são alemães e uruguaios.

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