domingo, 5 de fevereiro de 2012

Por que torcer por Jenson Button?

Dando continuidade ao nosso especial, hoje teremos a participação da Vivian Zorzin, fã de Jenson Button e ex-diretora do ORT. Nunca havia tido contato com a Vivian até pensar nesse Especial e, graças a colaboração da amiga Ludy Coimbra, acabamos trocando emails e ela (felizmente!) aceitou o meu convite. Tive uma identificação "de cara" com o texto e a imagem escolhidos pela Vivian, porque sempre admirei muito o JB, acompanho a carreira dele há tempos, bem antes de ter ido pra Brawn e ter se tornado campeão da F1. Não passei pelo sofrimento de ser fã dele, mas as palavras da Vivian conseguiram traduzir um pouco o que eu também via e sentia - só que em proporções extremamente inferiores à de um verdadeiro fã.
Sendo assim, fiquem com o texto sobre "Por que torcer por Jenson Button?"


"Por que torcer para Jenson Button?

Quando recebi o convite da Priscylla o riso foi inevitável, afinal de contas, a pergunta “Por que você torce para Jenson Button?”, é o que mais ouço desde 2006.

Acreditem, até ingleses não me compreendiam.

Sempre soube quem era JB, afinal de contas, são muitos anos acompanhando o automobilismo, mas foi em 2006 que ele realmente chamou minha atenção. Sua segunda metade de temporada na Honda foi um espetáculo constrangedor para seu companheiro de equipe Rubens Barrichello. O auge foi ver ao vivo sua largada em 14º no GP do Brasil, e fazer a melhor corrida de sua vida (até aquele momento) e chegar em 3º lugar. Ali ele ganhou uma torcedora cativa.

Torcedora que precisou assistir e ler muito para entender por quem torcia, porque os dois anos que se seguiram na Honda foram um perfeito desastre ecológico (como esquecer aqueles carros “verdes”).

Vendo gravações, lendo artigos, e observando as poucas corridas que JB conseguiu terminar entre 2007/2008, descobri um piloto que dirige de forma delicada e sofisticada, e que havia trazido muitas esperanças a finada BAR, e seu maior estimulador David Richards.

Um fato engraçado desse tempo trágico foi o GP do Brasil de 2007, decisão de campeonato, será que o prodígio Hamilton seria campeão, será que Alonso seria tri-campeão, será que Kimi conseguiria? E eis, que em frente aos carros alinhados, uma bandeira inglesa balançava. Um repórter veio ávido nos perguntar porque estávamos torcendo por Hamilton... foi uma grande decepção para ele descobrir que era torcida para outro inglês ver.


Por que torcer para Jenson Button? Não vou me apegar ao ano de 2009 quando foi Campeão do Mundo, pois tenho argumentos muito melhores.

Jenson Button é um piloto que não erra, ele é completamente técnico, mesmo quando está no meio de uma disputa acirrada, você não o verá falhar, ele é rápido.

Existem muitos tipos e estilos de pilotagem, e sinceramente, não me apego a isso, me apego a corrida, a intensidade, aos resultados. Muito amam os aguerridos, atirados, combativos, e Jenson é justamente o contrário, um piloto mais cerebral e conservador, e nem por isso pior piloto.

Há de se destacar, que ser cerebral, ser inteligente é que fez com este piloto ganhasse suas mais belas corridas, Hungria 2006/2011 e a corrida mais louca “ever” que foi Canadá 2011.

 Julgo 2011 a melhor temporada da carreira de Jenson Button. Sei o quanto se fala sobre o mítico vice-campeonato, ser o primeiro do resto, mas ser vice-campeão acima de Webber (companheiro do campeão, logo dono do mesmo fantástico carro) e acima de seu próprio companheiro (Hamilton), julgado como o “Salvador” do automobilismo inglês, foi algo que não teve preço.

2011 mostrou que Jenson Button não foi campeão em 2009 apenas por ter o melhor carro, se assim o fosse, o campeão poderia ter sido Rubens Barrichello.

A McLaren ter renovado o contrato de JB por múltiplos anos, é sinal do espaço que Jenson conquistou dentro da McLaren.

Com alívio posso falar o quão errada eu estava ao criticar a ida de JB para a McLaren, casa de Hamilton, o “filho” de Ron Denis, o queridinho do time britânico. Naquele momento conheci outro adjetivo de JB, corajoso. Hoje vejo Jenson Button extremamente respeitado pela equipe e responsável pela competitividade da equipe nesta temporada, onde Hamilton esteve tão desequilibrado (em todos os aspectos).

Sobre 2012? Espero um carro competitivo para a McLaren, pois sei que Red Bull e Ferrari terão. Jenson precisa melhorar nas classificações e continuar sendo o mesmo piloto constante, perseverante, preciso, eficiente, extremamente sereno, correto e que faz voltas perfeitas.

O que desejo do futuro? Muitas vitórias, muitas brigas, e acho que ainda dá para ser bicampeão antes da aposentadoria, 32 aninhos não são nada, né gente (meu lado fã)? Ahhh, e uma vitória em Silverstone, eu mereço esse mimo.

Será que consegui explicar porque torço por Jenson Button?

Não espere por grandes disputas, não espere por faca nos dentes, não espere por escândalos, declarações comprometedoras, mas garanto muitas alegrias através de uma pilotagem do tipo excepcional."

Vick, muito obrigada pela sua participação nesse especial! Seu texto foi excelente! Não posso dizer que espero que o JB seja campeão esse ano por causa da presença do Kimi no grid. Mas torço por muitas vitórias dele, ele é um piloto fantástico, parece ser um verdadeiro gentleman e, cá entre nós, um homem lindo de morrer! rs

Vocês podem ler os outros artigos do nosso especial clicando aqui

domingo, 29 de janeiro de 2012

Por que torcer por Fernando Alonso?

Boa noite, blogaiada! Peço desculpas por não ter postado o artigo de continuação do nosso especial, mas infelizmente, minha internet não colaborou comigo. Após praticamente uma semana sem conexão, estou de volta. Hoje, teremos a participação especialíssima da Tati Coimbra, do blog do Octeto, que vem nos falar sobre o piloto espanhol Fernando Alonso. A Tati não é somente fã do Alonso, ela é muito mais que isso. Líder da Armada Asturiana, um grupo formado em seu blog, ela é aquele tipo de pessoa que defende seu ídolo com unhas e dentes e como uma advogada, argumenta até deixar o interlocutor sem ter mais o que criticar (experiência própria! rs). Por essa característica, que eu, pessoalmente, considero fantástica, fiquem agora com o texto da querida Tati Coimbra.

Por que torcer por Fernando Alonso?

Hum... Bom, se para esta pergunta proposta pela Priscylla eu respondesse: “porque Alonso é o melhor piloto do grid na atualidade”, eu estaria sendo simplória e muita injusta com este espanhol que faz parte da minha vida esportiva há quase oito temporadas (nossa, como o tempo passa!rs).


Justificar minha resposta desta maneira seria uma tremenda injustiça, porque Alonso é muito além do que um piloto de F1 considerado por muitos como o melhor. Então por que torcer por Fernando Alonso?


Fernando Alonso é a razão de uma transformação. Transformação de um país futebolista onde apenas alguns míseros gatos pingados assistem corridas de f1... em VT, nunca ao vivo. Ele é a razão, hoje,pela qual milhões de espanhóis (aqui não julgo conhecimento técnico dos mesmos) ligarem suas TVs nas tarde de domingo para assistirem uma corrida de F1. Ele é a razão por hoje a Espanha ser lembrada no automobilismo. Ele fez isso, e muito antes de ser campeão do mundo.


Fernando Alonso é um lutador. E quando tudo parece estar perdido e impossível, lá vem ele para tornar possível o impossível(nosso lema, rs) com toda sua garra, seja ao vencer uma corrida com um carro inferior ao dos adversários, fazer uma pole-position no susto ou fazer largadas espetaculares. Quando Alonso está na pista nada está perdido e (quase) tudo pode tornar-se possível.


Fernando Alonso é mágico. Com seu avô aprendeu a arte de fazer mágica, e com as cartas de baralho nas mãos é capaz de enganar qualquer um com seus truques, daqueles que a gente fica se perguntando: “como ele consegue fazer isso?”. O mais engraçado é que me faço esta mesma perguntahá 4 anos, todos os domingos de manhã o vendo fazer mais do que os outros com carros tão inferiores ao que ele mereceria. Ele faz mágica com as mãos, com os pés e, principalmente, nas pistas.




Fernando Alonso é uma inspiração. Para muitos, o espanhol é um “dick vigarista”, um cara que usa de métodos sujos para conquistar o que deseja. Eu o vejo diferente, e o melhor disso, é que existem milhares de pessoas que veem o mesmo que eu: um sujeito especial, talentoso, divertido, disciplinado e determinado.


Fernando Alonso é um líder. Por ele vale a pena lutar e trabalhar, porque quando em pista, não há chance perdida. Alonso dará sempre 110% para conquistar o melhor resultado possível. Um homem capaz de, após um erro como de Mônaco em 2010, se desculpar eprometer aos seus engenheiros e companheiros de trabalho, que voltaria a disputar o título. Dito e feito. Como disse, por ele valem-se as horas de trabalho, pois sabe-se que nenhum momento será desperdiçado.


Portanto, por que torcer por Fernando Alonso? Porque ele, além de ser tudo isso que citei, me faz feliz, me faz acordar nas manhãs de domingos mesmo quando as esperanças de um bom resultado serão ínfimas. Torço por Alonso porque somente ele me faz acreditar, sonhar, ter esperanças, somente ele me faz perceber que, mesmo sendo difícil por alguns momentos, tudo vale a pena. 


Ou talvez, eu pudesse resumir todo este texto em uma palavra: eu torço por Fernando Alonso porque ele é meu ÍDOLO.

A paixão e dedicação da Tati são tão fortes que me fizeram até mesmo simpatizar um pouquinho com o Alonso e compreender que muita coisa que eu mesma falei aqui ou li em outros lugares não foram necessariamente culpa ou maldade dele, e sim, que ele foi uma vítima do meio. Ele continua não sendo santo e ainda penso que tem alguma culpa em situações do passado, mas não é também o vilão que foi pintado pela mídia. Tati, muito obrigada pela sua participação! Saiba que as portas desse Paddock estão abertas sempre que você quiser falar do Alonso, da AA ou do que você quiser! Até mesmo se isso envolver defender seu ídolo após as minhas críticas rs

O outro artigo desse especial sobre Schumacher, você encontra clicando aqui ou buscando no nosso arquivo ali do lado.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Por que torcer por Michael Schumacher?

A primeira participação nesse especial será da Larissa Oliveira, fã de Michael Schumacher e dona do blog Michael Schumacher. Certo dia, estava navegando por aí, buscando blogs sobre os pilotos da F1, quando me deparei com o blog da Larissa e o achei muito interessante. Primeiro, porque foi um dos poucos fanblogs que encontrei sobre Schumacher. Segundo, devido à sua dedicação aos posts, sempre cheios de palavras carinhosas em relação ao piloto. Assim, quando tive a ideia para esse especial e buscava alguém para escrever sobre Schumacher, vi que ela era a opção ideal e, certamente, seu texto não me decepcionou. Fiquem agora com o seu texto:

"Fica complicado explicar os motivos de torcer por Schumacher sem ter que voltar um pouco ao passado. Não retornarei muito na máquina do tempo, apenas para 2006, num momento que resume bem quem é esse piloto alemão muitas vezes tão incompreendido pela mídia e pelo público.

Suzuka, 2006 – o motor da Ferrari explode; o oitavo título agora parece impossível – Schumacher desce do carro e a câmera capta a emoção daquele instante, obviamente ele está triste, porém dá para notar certa resignação. Talvez outros pilotos começassem a chorar, a espernear, quisessem ficar um pouco sozinhos naquele momento. Mas não Schumacher, ele está determinado a voltar aos boxes.

E quando ele entra nos boxes da Ferrari, parece que tudo muda. O cara acabou de perder sua maior chance de conquistar outro título, porém é ele quem consola os mecânicos, abraça-os e aperta a mão de cada um. E para Schumacher, TODOS na equipe são iguais: engenheiros, mecânicos, os técnicos de pneu e até a mocinha que serve o café. Ele conhece cada um deles e sabe até quantos filhos cada um tem. E Michael sempre foi assim, não somente na Ferrari, mas desde o momento que ingressou no mundo louco da Fórmula 1.

Dentro da garagem, longe dos holofotes, ele é um cara aberto e acessível, nunca um cara frio. Ele tem interesse em tudo que está sendo discutido na sua equipe seja sobre família, sobre o carro, sobre férias ou qualquer outro assunto. Ele pode ficar até mais tarde no circuito com um prato de macarrão na mão conversando com os mecânicos e discutindo estratégia com os engenheiros. Michael é sinônimo de comprometimento na F1.

Contraditoriamente, ele sempre se viu como um cara pessimista. Apesar disso, ainda consegue motivar a todos que estão o seu redor. Essa vontade de correr, mesmo após os 40 anos e ainda mantendo um nível de treinamento físico impressionante até para os mais jovens pilotos, é uma verdadeira inspiração.

Bem, até agora eu só descrevi o Schumacher fora das pistas. Pois após o seu retorno a F1, seria injusto comparar o piloto que vemos agora ao alto padrão de pilotagem que ele estabeleceu antes de deixar as pistas de corrida pela 1ª vez em 2006. Eu acho que ainda há uma fumaça negra em torno do que ele ainda é capaz de fazer, porém pode-se notar certos lampejos de sua velha agressividade, sua habilidade na pista molhada e seu velho lema de ‘desistir jamais’.

Sei que muitos vêem nele apenas o piloto sujo que quer vencer a qualquer custo. Eu entendo isso, porém é uma descrição bem rasa para algo tão mais complexo; Michael é um pacote completo. Então ao verem-no na pista mais uma vez, enxerguem uma pessoa que valoriza a F1 como um esporte sobre seres humanos e não somente máquinas furiosas."

Nós que torcemos para pilotos estrangeiros sabemos que esse ato faz com que soframos muito preconceito, imagino para a Larissa que torce para um piloto que aqui no Brasil foi "pintado" para a imensa maioria dos fãs de automobilismo como vilão. Eu mesma há muitos e muitos anos via Schumacher como o "Dick Vigarista", por influência forte da mídia. Houve sim uma ou duas ocasiões que não concordei com suas atitudes, mas nem de longe isso tira o brilho que ele tem como piloto, na minha concepção. Até porque, ninguém mais nesses vários anos de Fórmula 1 conseguiu mais campeonatos que Michael Schumacher - e acho muito difícil que o consigam.

Enfim, quero agradecer muito à sua colaboração para esse especial, Larissa. Sempre que quiser falar sobre Schumacher ou qualquer outro assunto automobilístico, as portas estarão abertas para você. Parabéns pelo texto!

Por que torcer...?

Iniciando a temporada de novas colunas e especiais para o Paddock Interditado, apresento a vocês o nosso "especial das férias da F1": "Por que torcer...?". Nesse especial, seis convidadas escreverão sobre seus ídolos na F1, os seis campeões que disputarão a temporada 2012, dizendo os seus motivos que fazem cada um desses esportistas serem únicos e dignos de nossa torcida. Falaremos a cada Domingo de Schumacher, Alonso, Vettel, Button, Hamilton e Räikkönen. E, na última postagem, eu tecerei alguns breves comentários sobre a F1, com o porquê acompanhar essa categoria cheia de defeitos e virtudes.

Ano Novo, Vida Nova... ou quase isso

Como já havia comentado aqui há alguns (muitos) dias, 2012 será um ano de novidades no Paddock Interditado, algumas boas e outras nem tanto. A primeira de todas é que a partir de hoje, esse blog será atualizado somente por mim. A minha querida companheira de Padoca, Thamiris, aka "A Desnaturada", está saindo do blog. É uma pena, porque sempre discutíamos sobre F1 aqui e fora da "blogosfera", mas por uma dificuldade de concordância de horários e a consequente distância, a partir de hoje, eu sigo carreira solo por aqui. Vou sentir falta dos seus pitacos, magrela! Mas saiba que as portas dessa Padoca estarão sempre abertas para você. SEMPRE!

Segunda novidade (essa sim uma boa!): a partir de agora, o blog ficará mais interativo. Teremos colunas, algumas fixas, outras ocasionais, mas em todas, haverá a participação de nossos companheiros de blogosfera e dos leitores que estiverem interessados em participar. E é claro, eu mesma participarei de muitas dessas colunas.

Terceira (e última) novidade: Agora, temos um perfil oficial no Twitter (@Paddotweet). A cada atualização, um tweet aparecerá na timeline dos nossos seguidores, avisando sobre as novas publicações.

Por enquanto, é só isso. Mas muitas outras novidades aparecerão em breve.

Grande abraço, blogaiada!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Back in action



Welcome back, Iceman.

Pequeno comentário

Para aqueles que não sabem, ontem foi ao ar uma entrevista dada por Felipe Massa à Marília Gabriela. Já vi muitos comentários no twitter e em blogs dizendo que não sentiram veracidade no que Massa falou, que aparentemente falta força de vontade ao piloto e coisas do tipo. Serei mais uma a concordar, mas tirei esses 5 minutos do meu tempo para comentar um outro fato que me chamou a atenção na entrevista.

O que acontece com os pilotos brasileiros de maneira geral? Em determinado momento, Marília perguntava a Massa sobre os talentos do futuro, o que acontece com os meninos que hoje treinam no Kart quando decidem largá-lo e seguir adiante dentro do automobilismo. O piloto explicou que os pilotos saem do Brasil para tentar correr na Europa e que ao chegarem lá, não conseguem acompanhar por diversos fatores, sendo um deles, porque não há outros campeonatos internos no Brasil que sirvam de base para que adquiram experiência e evoluam lá fora. E ao ser perguntado o porquê disso, dessa ausência de outras categorias, o piloto não soube responder.

Ora, será que somente Nelson Piquet tem "peito" suficiente para falar abertamente sobre a falta de empenho da CBA em desenvolver o automobilismo no país? Alguns jornalistas sérios já mostraram em suas publicações nos diversos meios de comunicação a pouca vergonha que acontece nos bastidores das categorias brasileiras. Não precisa muito: quem, assim como eu, já teve a oportunidade de assistir a uma corrida in loco aqui no Rio de Janeiro, viu o estado de calamidade que se encontra o autódromo de Jacarepaguá. Entendo que ele vai ser destruído, obras da Olimpíada, progresso, legados, qualquer coisa assim. Mas muito antes desse anúncio de Olimpíada ser feito, o autódromo já estava entregue às baratas, mato crescendo, abandono explícito.  

Dia após dia, o automobilismo brasileiro perde espectadores porque não há infraestrutura, não há estímulo ao desenvolvimento de novas categorias (salvo raras excessões, como essas provas estimuladas pelo próprio Felipe) e com isso, talentos não são descobertos, não ganham patrocinadores e o automobilismo agoniza. Isso sem contar a falta de fiscalização em relação às provas transmitidas pela TV, cortadas, editadas e exibidas da maneira que convém aos detentores de seus direitos. Até quando?

No fim, Massa perdeu uma grande oportunidade para ser mais um a aumentar a lista de reclamações sobre a falta de responsabilidade daqueles que deveriam ser a voz da velocidade no país.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

De volta

Pensei muitas e muitas vezes em como escrever esse post. Um ano parado é muito tempo. Não houve descaso, não houve desleixo. O que houve foi simplesmente uma falta de tempo absurda, muito (muito mesmo!) trabalho, muitos pacientes, muitas coisas a serem resolvidas, estudadas. Muita, mas muita saudade.
Nesse último ano que o blog permaneceu parado, a minha paixão pelo automobilismo e por escrever ficou guardada. Somente guardada, jamais abandonada. As ideias para esse espaço continuaram surgindo e foram sempre anotadas num caderninho ou armazenadas lá em um cantinho especial da memória.

Eu acompanhei, distante, o universo automobilístico. Acompanhei também as notícias pelos sites e blogs parceiros dessa Padoca. Assisti a umas duas ou três corridas somente. Ouvi trechos dos treinos enquanto dava plantões aos Sábados pela manhã na Unidade Coronariana de um hospital daqui do Rio. E enquanto escrevia nos prontuários a evolução dos pacientes, ouvia lá ao fundo o ruído dos motores que sempre amei, com uma pontinha de dor no coração, mas buscando uma oportunidade para o meu futuro como médica.

Estou de volta. E prometo me dedicar mais à esse meu amado hobby ano que vem. Até por que, além da F1 por si só, ainda terei um bônus nisso tudo: o Iceman também está de volta. Que 2012 venha com a corda toda para movimentar essa Padoca.

Grande abraço.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mensagem de Fim de Ano

Blogaiada, completamos um ano de Paddock Interditado em 2010. Apesar de não ter tido uma comemoração convincente no blog, quero dizer que passar o ano vindo aqui, postando as minhas opiniões e discutindo diversos aspectos desse esporte que eu amo tanto não poderia ter me deixado mais feliz.

Quero agradecer a todos que nos visitaram, os comentários, as parcerias, os amigos conquistados. Quero também agradecer às críticas, principalmente aquelas que foram construtivas e que nos ajudaram e continuarão contribuindo com o nosso crescimento. E quanto às críticas sem sentido... bom, o "X" ali em cima é serventia da casa.

Esse foi um ano muito pesado pra mim, a faculdade me consumiu muito tempo com muitos trabalhos, aulas, monitorias e coisas mais, o que acabou me afastando muitas vezes daqui. Sei que os próximos anos serão ainda piores com internato e residência se aproximando. Idéias não faltam para tornar o Paddock Interditado um blog cada vez melhor (e quem sabe, maior!), mas infelizmente, a correria me impede de colocá-las em prática. Contudo, prometo que como sempre, tentarei fazer o meu melhor e manter a nossa padoca sempre atualizada e cheia de pitacos loucos sobre o automobilismo e outras coisitas mais.

Um 2011 cheio de alegrias, paz e conquistas para todos vocês e suas famílias.

Um grande beijo.

Paddock's Retrô 2010

Blogaiada, finalmente, eis a nossa retrospectiva de 2010, mais louca que a de 2009 porém, dessa vez, entregue na data prometida. Aliás, antecipada!

O resumo do campeonato (fonte: Crazy Circus)

P10 -  O desastre coreano

Terminando a pintura. (fonte: Lance)
E parece que ter um GP com uma história trágica se tornará tradição na Fórmula 1. Ano passado já tivemos a tragédia de Abu Dhabi e quando achávamos que não poderia piorar, eis que somos premiados com a Coréia do Sul. Não posso comentar sobre a corrida e o circuito em si pois não fiquei acordada até altas madrugadas para assistí-la, mas o simples fato da definição da sua existência no calendário só ocorrer há duas semanas da data prevista, é absurdo.

P9 -A batida entre Webber e Vettel

Companheirismo Ameaçado (fonte: R7)
O momento mais tenso do campeonato para a Red Bull não deve ter sido o final, onde a pressão aumentava para que Christian Horner decidisse qual seria o piloto escolhido para ser favorecido na equipe. Acredito que o motivo mais tenso da temporada tenha sido o GP da Turquia, onde houve uma colisão entre os pilotos. Talvez todos tenham pensado que a partir desse momento, a estrutura emocional da Red Bull estaria abalada e acabaria ruindo como um castelo de cartas - principalmente após o gesto imaturo de Vettel que insinuava que Mark Webber seria louco. Mas a equipe conseguiu segurar o temperamento explosivo do jovem piloto dando uma impressão de calma e companheirismo entre o alemão e o australiano durante a temporada. Outros problemas ocorreram, pequenos atritos que podiam ter se tornado uma verdadeira explosão na equipe, como a vez que Mark Webber após um excelente resultado afirmou que era "nada mau para um segundo piloto". Mas felizmente para os taurinos, houve muita sabedoria dentro da equipe que, aliada a um pouco de sorte, lhe garantiu o título de pilotos e de construtores.

P8 - A segunda categoria da F1

Comissária Branson (fonte: Motorsport)
Virgin, Lotus, Hispania. As novatas de 2010 tinham desde o início sua presença questionada na F1. Tomei emprestada a frase que escutamos repetidamente nas transmissões de TV, que as novatas eram a segunda categoria dentro da Fórmula 1, tamanha era a dificuldade dessas equipes conseguirem velocidades compatíveis com o resto, já que muitas vezes a diferença era de segundos. De todas, talvez a Hispania tenha sido aquela que começou mais "aos trancos e barrancos", com as maiores dificuldades para conseguir pagar as dívidas e - o mais absurdo - construir um carro. A situação era tão ruim que ao longo do campeonato, passou a trocar seus pilotos a cada prova, misturando uma espécie de teste para encontrar um esportista que a salvasse com um leilão de quem pagava mais caro para se assegurar na equipe. A Virgin não teve grandes dificuldades financeiras, pelo menos não inicialmente, já que para o dono, dinheiro não falta. Mas assim como a Hispania, não obteve bons resultados, foi muito criticada e ainda teve boatos de crise financeira no final do ano. A única que se destacou positivamente foi a Lotus que apostou em Trulli e Kovalainen para 2010 e acertou em cheio. O italiano não conseguiu muitos resultados, mas o finlandês pareceu se adaptar perfeitamente à equipe, colocando-a em uma boa posição em relação às outras novatas e ainda garantindo a vitória de Tony Fernandes na aposta com Richard Branson, fazendo o amigo se vestir de comissária num vôo beneficente.

P7 - O péssimo ano dos brazucas

Os pilotos tiraram férias esse ano (fonte: lufrancesa.com)
2010 não foi o ano para o Brasil. Tirando Rubens Barrichello que fez milagres com a Williams surpreendendo muitos que não apostavam no piloto, depois de todos os vices e piadinhas sobre Schumacher durante sua carreira, Massa, Di Grassi e Senna tiveram péssimos resultados. Massa passou por 2010 como um fantasma, não obtendo resultados esperados e ainda perdendo prestígio com seus torcedores ao ceder ao pedido (para não dizer ordem) da Ferrari no GP da Alemanha. Polêmicas a parte, a sensação que a maioria teve foi como se Felipe estivesse dormindo durante o ano e, de fato, esquecido de acordar para correr atrás do prejuízo. Já Di Grassi e Senna pecaram por terem assinado com equipes extremamente fracas. Muitas vezes, monstraram garra durante o campeonato, buscaram melhorias nos carros, mas elas não chegaram a tempo. Di Grassi foi substituído por Jérôme D'Ambrosio na Virgin, Bruno Senna ainda não tem lugar definido em 2011. 

P6 - A surra de Rosberg em Schumacher

Schumacher não assusta mais? (fonte: The Sydney Morning Herald)
O retorno de Schumacher à Fórmula 1 trouxe uma grande divisão de opiniões dentre os fãs do esporte: houve o grupo superconfiante que acreditava que o heptacampeão voltaria com força total, ganhando corridas, até mesmo, com chances de ganhar o título. Houve também o grupo mais pessimista, que apostava em uma volta menos glamourosa do alemão, com dificuldades de adaptação devido ao tempo no qual ficou longe da categoria. A verdade é que foi um ano muito difícil para Schumacher, principalmente pelo fato de ter levado surra atrás de surra do seu companheiro de equipe Nico Rosberg. Mesmo quando a equipe lhe deu acessórios que em tese, ajudariam a melhorar seu desempenho na pista, Nico sem essas mesmas melhorias continuou vendo o companheiro alemão pelo retrovisor. Schumacher já deu milhão e meio de justificativas e promete voltar mais competitivo em 2011, buscando ter uma Mercedes mais competitiva em 2011. É claro que não cabe a ninguém contestar o resultado de alguém que ganhou mais campeonatos que qualquer outro piloto na categoria e que certamente não precisa provar a sua qualidade. Mas fica a dúvida: como será o 2011 da Mercedes? Tendo de um lado um jovem piloto talentosíssimo que deseja e indiscutivelmente merece
muitas conquistas e do outro um veterano que, apesar de afirmar que voltou somente para divertir, não connsegue ficar muito tempo sem ganhar?

P5 - Pequenos brilhantes

Heikki, Trulli e a Nova Lotus - destaque entre as pequenas (fonte: blogdogroo)
As crianças são o futuro da nação. Assim como da Fórmula 1. E em 2010, os jovens pilotos brilharam mais uma vez, mostrando suas habilidades e provando que caso continuem evoluindo, o destino da categoria estará recheada de muito talento. Para começar, tivemos o campeão mais jovem da história, Sebastian Vettel. O alemão de 23 anos, desde os primeiros passos na F1, já demonstrava que não demoraria muito tempo para que um título mundial viesse para suas posses. Nico Hülkenberg teve um ano de altos e baixos, mas o que marcou foi a sua absolutamente inesperada pole position em Interlagos. Talvez ele próprio não esperasse começar o GP do Brasil na frente, tal foi a sua cara de surpresa ao sair do carro. Kamui Kobayashi mais uma vez, é destaque na temporada. Talvez o apelido MITO que recebeu no twitter seja suficiente para resumir a sua participação em uma equipe sem recursos, que não prometia muita coisa para 2010 mas que conseguiu conquistar seus pontinhos graças ao japonês "fazedor" de sushi. Que a Sauber cresça ou que uma equipe maior contrate o mito Kobayahi em um futuro próximo. Nos testes após o fim da temporada, na busca de novos talentos, pilotos como Daniel Ricciardo fez excelentes tempos com a Red Bull, assim como Jérôme D'Ambrosio que foi contratado pela Virgin. O futuro promete.

P4 - Rubinho X Schumacher
2010 - A Vingança de Rubinho (fonte: FRamos6)

Quem vai esquecer a ultrapassagem mais polêmica de 2010? Quem não prendeu a respiração quando a Williams de Barrichello se aproximava da Mercedes de Schumacher e mais ainda do muro? A rivalidade entre esses dois pilotos já é histórica, uma "amizade" destruída por diversos motivos, sobretudo aquele jogo de equipe que eu, você e o universo já estamos fartos de saber e discutir. Nesses 8 anos que se passaram, Schumacher ganhou mais campeonatos, se aposentou e retornou a categoria, enquanto Rubinho trocou de equipe, quase foi campeão em 2009 e ainda conquistou importantes resultados para a Williams esse ano. O alemão mostrou-se na maioria das vezes indiferente de tudo que ocorreu entre ele e Rubinho durante os anos; o brasileiro não. A ultrapassagem desse ano simbolizou uma espécie de grito de liberdade para Rubens. Schumacher logo pediu desculpas pela ação imprudente durante a corrida. Na verdade, tudo isso não passa de um grande circo. Schumacher errou sim, a Ferrari também (pra variar), mas Rubens já deveria ter deixado essa história no passado! Discutir essa situação nos idos de 2002 era coerente, alimentar essa rivalidade infantil 8 anos mais tarde é sinal de imaturidade. Felizmente, não houve batida, a ultrapassagem foi limpa, a torcida brasileira ficou feliz (Galvão Bueno principalmente!) e esse momento entrou para a lista dos mais marcantes de 2010. Torcemos agora para que ambos sigam a vida e que não tenhamos que presenciar mais bla bla blas e mi mi mis na mídia.

P3 - Campeonato equilibrado

Os concorrentes ao título (fonte: Racetv.com)
Nos últimos anos, os campeonatos vêm, aos poucos, tendo seu perfil modificado. Se formos comparar circuitos e competitividade, diria que eles tomam rumos absolutamente inversos. Enquanto em 2010 continuamos testemunhando corridas em locais sem a menor tradição, que chegam a deixar o espectador sonolento e desmotivado a assistir as corridas, também vemos, por outro lado, as equipes se empenhando cada vez mais em construir carros mais competitivos, com inovações tecnológicas que permitiram até as últimas corridas, haver pelo menos 5 pilotos lutando pelo título. Quantas asas, ductos e pacotes aerodinâmicos foram testados e utilizados esse ano? Claro que a tecnologia não é somente a pedra fundamental de tamanho equilíbrio. Finalmente, os pilotos estão aos poucos, se nivelando. Um pool de talentos disputou o campeonato de 2010. A regularidade de Button e Vettel, o arrojo de Alonso, a garra de Hamilton e Webber. Até mesmo as equipes menores ou com recursos menores souberam - de maneira muito inteligente, até - unir pilotos mais antigos, com grande experiência aos mais jovens, sem medo de arriscar. Os
maiores exemplos são Trulli e Kovalainen, que fizeram da Lotus a melhor dentre as novatas e a Williams, que apesar de tradicional e com um passado vitorioso, ultimamente não vinha atingindo grandes resultados e acabou apostando em Barrichello e Hülkenberg para a temporada. Ambos os casos foram boas escolhas que podem certamente culminar no futuro em mais equipes entrando para o clube das possíveis vitoriosas, junto a Ferrari, McLaren e Red Bull (que há algum tempo, também era uma pequena notável).

P2 - Fernando is faster than you

O mico do ano (fonte: Kibeloco)
Finalmente! A última vez que terei que escrever sobre essa situação horrorosa. Já gastei meu português aqui várias vezes comentando esse assunto e não vou me estender novamente. Na corrida que acontecia após um ano do acidente que poderia, potencialmente, tê-lo matado, Felipe Massa recebe uma mensagem que diz: "Fernando está mais rápido que você". Poucos minutos após, Alonso o ultrapassa sem dificuldades, já que
o brasileiro visivelmente anda mais devagar. O caso é comentado no mundo inteiro como jogo de equipe, é levado a julgamento - que não dá em nada, como quase tudo que é julgado sobre Fórmula 1 - e todos continuam como se nada tivesse acontecido. Massa continua sua temporada pífia, Alonso chega a última corrida como candidato ao título e o perde em Abu Dhabi para Sebastian Vettel, após ter ficado preso atrás de Vitaly Petrov da Renault. Li, dia desses, um texto do blogueiro Ale Rocha no qual ele comparava reality shows à novelas, nos quais as pessoas acabavam definindo os participantes como mocinhos e vilões, bons e maus e, baseados nisso, acabavam premiando com a vitória os bonzinhos. Agora, escrevendo essa retrospectiva, me lembrei desse texto e do que foi falado em jornais, programas de TV e rádio, sites e blogs (inclusive este) onde diziam que o bem venceu o mal na temporada de 2010. Penso que, a partir do momento que passamos a separar esportistas por bonzinhos e malvados, alguma coisa deve estar muito errada.

Pole Position - O choro de Vettel

Temos um campeão chorão! (fonte: Grande Prêmio)
Quem não se emocionou com o choro de Vettel ao conquistar o campeonato, que atire a primeira pedra! (Menos os fãs do Alonso e do Webber, por gentileza, viu?) Eu que sou fria como o gelo - motivo pelo qual alguns me chamam de Icegirl - fiquei derretida com aquele chorinho, aquela comemoração e a cara de bobo do alemão no pódio! Deu gosto ver alguém que batalhou pelo campeonato, mesmo que fazendo algumas besteiras durante o trajeto, celebrar daquela forma, expressando do seu próprio jeito todo a dedicação e suor que foi colocado desde o princípio até aquele dia. A pouca idade de Vettel o levou a ter atos extremamente imaturos durante a sua carreira, mas devido às circunstâncias que ocorreram durante o campeonato, foi um prêmio justo. Não podemos também desmerecer a reação impressionante de Alonso na segunda metade do campeonato que sem dúvidas, foi um dos fatores que o levou a disputar o título até o final. Também não nos esqueçamos da garra de Webber durante o campeonato, por ser um piloto mais velho e, principalmente, por ter corrido nas últimas provas com um osso fraturado. O campeonato não teve um dono, uma estrela, mas sim uma constelação que nos brindou com uma competição nunca antes vista.


Espero que tenham gostado! E que venha 2011!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Últimas do Reino dos Monopostos

Apesar da ausência dos últimos dias, reservei dois minutinhos para comentar as últimas novidades da F1.

I- O calendário de 2011 já está pronto e pode ser baixado aqui. Brasil fecha (graças a Deus e tio Bernie!). Além disso, entra - pelo menos, até a confirmação sair -  Índia. Será esse mais um autódromo pro clube dos Tilkódromos imprestáveis?

II- Petrov assinou a renovação com a Renault por mais uma temporada. Principal causa: Dinheiro ou talento? O russo teve alguns momentos muito bons esse ano, por outro lado, também fez lambanças dignas de motorista de fim de semana.

III- Falando em Renault, agora ela atende pelo nome de Lotus Renault. Sim, mais uma Lotus pro circo. Alguém aí duvida que Galvão vai misturar tudo e chamar urubu de meu louro no meio da corrida? Depois de anos misturando Hakkinen com Räikkönen, lá vamos nós pra mais um episódio de Confusões de Galvão. OMG.

IV- Jérôme D'Ambrosio fechou com a Virgin, tirando Di Grassi da briga por uma vaga na equipe rockstar. Essa foi a notícia que mais me animou, pois Jérôme é um ótimo piloto e tem plena capacidade de crescer muito na categoria. Preciso dizer que tenho um novo favorito?

Blogaiada, desejo um Feliz Natal para todos vocês!!! 

Coisas da Red Bull... Oh gente criativa!

Retrospectiva - o retorno

Blogaiada, quero avisar que apesar da nossa ausência nesse início de férias, já começamos a aprontar a nossa Retrospectiva 2010, que assim como a do ano passado, deve ficar de novo para o último dia do ano, cheia de piadinhas e bobagens que vcs já estão acostumados. Mais uma vez, a escolha dos fatos mais importantes - ou não - do ano ficará por minha conta, acompanhada da desnaturada Thamiris Tavares.

Nota de Falecimento

Faleceu ontem, aos 56 anos, Matti Räikkönen, pai do campeão Kimi Räikkönen. Que a família tenha forças para superar essa perda tão inesperada.

Imagem: ORT

sábado, 20 de novembro de 2010

O melhor de todos


Mais um ano, mais um campeonato chega ao fim. Em todos esses meus anos acompanhando F1, mesmo que no aconchego de meu lar, nunca vi um campeonato tão surpreendente como esse. Jurava até o último treino classificatório que daria Webber ou Alonso, ninguém além dessa dupla, pois mesmo sabendo que Hamilton e Vettel ainda tinham chances, não imaginava uma reação tão grande do alemão mirim. Para a minha alegria, foi surpreendida. Talvez seja esse um dos motivos que me fazem continuar assistindo a F1, mesmo sabendo dos percalços, das falcatruas, das roubalheiras que acontecem nos bastidores.


Vettel correu com maestria, pelo simples fato de ter feito o que tinha que fazer. Se Webber tivesse pensado da mesma maneira desde os treinos, talvez não tivesse deixado o título escorregar por entre os dedos. Teria o australiano ficado nervoso? Sentiu-se pressionado por ter a cúpula (econômica) da equipe ao lado da promessa que corria ao seu lado? Talvez...


Alonso também perdeu, por motivos completamentes diferentes. Eu, no ápice da minha antipatia pelo espanhol, poderia dizer que foi por incompetência, mas seria injustiça. Alonso é um ótimo piloto, consistente, competitivo e arrojado, mas peca - e muito - por vários motivos. Falta de espírito esportivo, ambição excessiva, atitudes absurdas, e a lista continua. Como não esquecer o episódio da Alemanha? Ou na última corrida, os xingamentos explícitos à Vitaly Petrov da Renault? O que ele pensava? O russo tinha que deixá-lo passar só porque vinha em uma Ferrari, por que ele era mais rápido? Acho que ainda não entendeu que ser bicampeão não faz dele o maior de todos, o mandachuva. Talvez o "título" Don Fernando das Astúrias tenha lhe subido a cabeça e lhe feito acreditar que de fato, ele manda na categoria, estando acima do bem e do mal. Perdeu um título que estava em suas mãos, talvez pudesse ter sido campeão.


Talvez, talvez... são tantas possibilidades, tantas variáveis! Há tempos não víamos tantas pessoas se revezando na liderança de um campeonato e, na última etapa, ver aquele que nunca havia sido líder levar o título para casa. Fiquei feliz com a vitória de Vettel, comemorei como se fosse o Kimi no pódio. Não porque sou fã do menino alemão, mas pelo simples fato de ver a justiça sendo feita. Sei que acabo caindo em um clichê ao dizer isso, mas se Alonso tivesse ganho, seria uma mancha no campeonato. A vitória de Vettel simbolizou, pelo menos na conjuntura atual, uma espécie de vitória do bem sobre o mal, onde a Ferrari manipuladora sucumbe à Red Bull que jogou limpo, que abdicou do jogo de equipe correndo o risco de perder um campeonato para ver seus pilotos competindo com uma classe digna de F1 dos tempos antigos, onde o dinheiro e a politicagem não interferia tanto na categoria.

Talvez se Vettel fosse o principal concorrente à vitória desde o início, a equipe rubrotaurina incentivasse o jogo de equipe entre os pilotos e tudo isso que eu disse fosse uma grande balela, palavras de uma sonhadora. Mas novamente, este é só mais um talvez pra essa história...



domingo, 14 de novembro de 2010

Senna em cena

Hoje, as ilustríssimas donas desse blog tiveram uma oportunidade única: ver o documentário que narra a vida e carreira de um dos maiores pilotos brasileiros, Ayrton Senna.
Não, eu não sou mais uma daquelas fãs enlouquecidas que acham que Senna foi o melhor e ponto final. Aliás, antes de ver o filme, eu nem achava que ele fosse tudo isso que meu pai e várias outras pessoas me falavam. Mas, ao final daqueles maravilhosos 107 minutos, eu fui obrigada a modificar por completo o meu ponto de vista.

Esse não é um filme que coloca o piloto como mártir da nação, da mesma forma que não o coloca como um vilão durante o tempo de disputas com Prost. Talvez essa visão humana de Senna tenha sido o ingrediente que faltava para que ele entrasse para o meu hall de grandes pilotos.

A grandeza de um homem se dá por suas ações, por sua capacidade de enfrentar desafios, sendo humilde ao conquistar a vitória e compenetrado, tendo a derrota como aprendizado e combustível para a elevação sobre os outros mortais. No que eu pude observar hoje, a história de vida de Ayrton só mostra como ele foi um homem grandioso e como o povo brasileiro se sentiu e deve se sentir até hoje tendo perdido aquele que era o grande exemplo a ser seguido e admirado pela população. Penso que mesmo não tendo visto os tempos áureos de Senna, o Brasil se sentiu como eu me sinto hoje sem ver o Kimi na Fórmula 1, obviamente em escalas completamente diferentes já que este está vivo e atuante, mesmo que em um esporte diferente. Com a morte de Ayrton, acabaram as manobras brilhantes, a imagem perseverante, a figura de uma pessoa que queria ir contra o sistema, a politicagem inútil que existia no início dos anos 90 e que se mantém, ainda pior, até hoje na F1.

Em contrapartida, é interessante observar como uma pessoa tão segura e decidida acaba tendo seus momentos de impotência e insegurança, como nas cenas onde há aquela batida proposital de Senna em Prost ou ainda quando Ratzemberger morre na véspera da última corrida do brasileiro. Da mesma forma como é inspirador ver como ele próprio encontrou na fé em Deus a força para continuar, mesmo quando as situações eram obscuras e o futuro perigoso e incerto.

Senna era humano e foi isso que me fez admirá-lo não só como piloto mas como pessoa após assistir a esse documentário. À ele, a minha homenagem hoje no Paddock Interditado.